O mercado de veículos elétricos (VE) dos Estados Unidos iniciou uma nova e significativa etapa após a conclusão definitiva do crédito fiscal federal geral em 30 de setembro de 2025. Essa mudança crucial, imposta pelo "One Big Beautiful Bill Act", pôs fim ao incentivo de US$ 7.500 para veículos novos e ao crédito de US$ 4.000 para VEs usados, encerrando um subsídio que vigorava há 15 anos. O efeito imediato dessa decisão foi uma corrida às concessionárias. De acordo com a National Automobile Dealers Association, as vendas de VEs em setembro alcançaram uma participação de mercado recorde, atingindo 11,8 por cento das vendas de veículos leves novos nos EUA.
Na sequência do prazo final, líderes estabelecidos, como a Tesla, relataram um aumento inicial, sugerindo que uma parcela dos compradores estava pronta para a transição independentemente do apoio governamental. No entanto, o setor mais amplo está agora ativamente a reorientar-se para alcançar uma paridade de mercado genuína através do valor intrínseco do produto. Esta recalibração manifesta-se num foco renovado na engenharia de baterias com longevidade superior e na integração de tecnologia atraente, ao mesmo tempo que se trabalha agressivamente para reduzir os preços de tabela. Uma análise subsequente à eliminação do subsídio revelou que, ao final do primeiro trimestre após a cessação, o preço médio de transação para VEs não luxuosos caiu aproximadamente 4,5 por cento em todo o país, à medida que os fabricantes absorveram parte do subsídio perdido para manter o volume de vendas.
As montadoras estão empregando diversas estratégias para sustentar o ritmo neste ambiente de apoio descentralizado. Grandes intervenientes, como a Ford e a General Motors, agiram para estender o incentivo indiretamente, estruturando programas onde as suas divisões financeiras compram VEs elegíveis para depois os alugar aos clientes, com o benefício de US$ 7.500 efetivamente "incorporado" na taxa de leasing. Paralelamente, os fabricantes estão acelerando o investimento em tecnologia de próxima geração, sinalizando um compromisso em superar as limitações atuais. O investimento de capital em pesquisa de baterias de estado sólido, por exemplo, registou um aumento de 12 por cento trimestre a trimestre imediatamente após o prazo de 30 de setembro, sublinhando que o foco está em avanços tecnológicos fundamentais como o verdadeiro motor para uma adoção sustentável.
Esta evolução está a forçar o mercado a concentrar-se no custo total de propriedade e na utilidade inerente do veículo, em vez da dependência do preço de compra inicial. Embora os especialistas prevejam uma quebra inicial nas vendas no trimestre subsequente, espelhando padrões observados noutros países que eliminaram incentivos semelhantes, a perspetiva a longo prazo permanece focada no avanço tecnológico. Por exemplo, a Hyundai cortou os preços do seu Ioniq 5, fabricado na Georgia, em até US$ 9.800, estabelecendo o preço base perto de US$ 35.000. Enquanto isso, a Nissan está lançando um Leaf reestilizado abaixo de US$ 30.000, oferecendo 300 milhas de autonomia. Esta recalibração de mercado sugere que, à medida que a dependência de incentivos diminui, a pressão por um modelo mais resiliente e centrado no consumidor, impulsionado pelo valor e pela inovação, está a ganhar força.