
Motivações para Consumo de Álcool Definem Perfis de Risco Psicológico
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Pesquisas psicológicas recentes estabelecem uma correlação direta entre a consciência dos motivos que levam ao consumo de bebidas alcoólicas e a frequência de ingestão, assim como a incidência de desfechos negativos associados. Este campo de estudo ganha relevância em um cenário de saúde pública, no qual a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que não existe um patamar de consumo de álcool isento de riscos, o que impulsiona uma reavaliação cultural sobre o hábito de beber. A compreensão aprofundada das razões pessoais para o consumo é apontada por especialistas como uma estratégia fundamental para a autorregulação e a potencial reavaliação do uso de substâncias.
Um estudo seminal delineou quatro perfis motivacionais distintos entre os indivíduos que consomem álcool, classificando-os em espectros de risco que variam significativamente. No extremo de maior vulnerabilidade estão os denominados 'Bebedores Sem Rumo' (Aimless Drinkers), frequentemente identificados como do sexo masculino, que manifestavam razões pouco claras para o consumo e, consequentemente, experimentavam as consequências adversas mais severas. Em contraste, os 'Bebedores de Prazer' (Pleasure Drinkers), motivados intrinsecamente, tendiam a manter um consumo moderado com incidência reduzida de efeitos prejudiciais, sendo este perfil mais prevalente em participantes de idade mais avançada.
Outros perfis identificados incluem os 'Bebedores Controlados Externamente' (Externally Controlled Drinkers), cujas motivações frequentemente envolvem a busca por autoconfiança ou a adesão à pressão social do meio, demonstrando forte correlação com padrões de uso frequente e em grande volume. Por outro lado, a categoria dos 'Bebedores Flexíveis' (Flexible Drinkers), que constitui o maior contingente amostral, apresentava uma diversidade de fatores motivacionais, mas, em geral, mantinha o consumo alcoólico dentro de limites considerados moderados. Fatores como extroversão têm sido associados ao aumento das probabilidades de consumo, enquanto um maior foco em realização pessoal pode diminuir essas chances.
O contexto social e a pressão de pares são fatores reconhecidos que influenciam a iniciação e a manutenção do consumo, especialmente entre jovens adultos, onde a necessidade de pertencimento pode ser um motor significativo. A OMS estima que o consumo nocivo de álcool foi um fator causal em 2,6 milhões de mortes globais em 2019, sendo que lesões fatais relacionadas ao álcool são mais comuns em faixas etárias entre 20 e 39 anos, representando cerca de 13,5% do total de óbitos. O álcool é um fator causal em mais de 200 doenças e lesões, incluindo diversos tipos de câncer, doenças cardiovasculares, cirrose hepática e problemas de saúde mental.
A conscientização sobre esses perfis motivacionais oferece um ponto de partida para intervenções clínicas e de saúde pública. A Dra. Patricia Hochgraf, psiquiatra e coordenadora de um programa de dependência química na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, enfatiza que a imprevisibilidade da reação do organismo ao álcool, devido a variáveis como sexo, genética e metabolização, impede a determinação de uma dose segura. A pesquisa sugere que a introspecção sobre o 'porquê' do consumo é tão crucial quanto a quantificação do 'quanto' se bebe, especialmente à luz das diretrizes atuais que advogam pela redução geral do consumo devido aos riscos inerentes, como o aumento de 0,5% no risco de adoecer com apenas uma dose diária, segundo um estudo de 1990 a 2016 envolvendo 195 países. A análise de dados de 195 países entre 1990 e 2016 revelou que o álcool foi o sétimo principal fator de risco para morte e incapacidade em 2016.
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Fontes
bb.lv
Alcohol Clin Exp Res (Hoboken)
Medscape
Ipsos
The Lancet Public Health
SAMHSA
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