Ganhos Secundários Inconscientes Sustentam Dinâmicas Relacionais Disfuncionais

Editado por: Olha Yos

Muitos indivíduos e casais mantêm dinâmicas relacionais profundamente disfuncionais, um fenômeno que a psicologia atribui à sustentação por benefícios emocionais ocultos, conhecidos como ganhos secundários. O psiquiatra e psicanalista Vittorio Lingiardi manifesta preocupação com a persistência de uniões infelizes ao longo da vida, indicando que essa resistência à mudança advém desses pagamentos escondidos que o sofrimento pode proporcionar.

Um mecanismo comum que solidifica essa estagnação é a competição simbiótica, na qual os parceiros, de maneira não explícita, disputam a autoridade para definir a realidade compartilhada, frequentemente assumindo papéis parentais críticos um em relação ao outro. O conceito de ganho secundário, introduzido por Freud em 1923, descreve vantagens indiretas obtidas ao permanecer em um estado de disfunção ou adoecimento, como a aquisição de atenção, o desvio de responsabilidades ou a atração de figuras de apoio, os chamados salvadores.

Esses ganhos externos, ou epinósicos, podem, em alguns casos, superar o benefício percebido da resolução do problema central, resultando na sabotagem inconsciente do tratamento. Quando a resistência à alteração se torna ativa no relacionamento, surge o risco de iatrogenia, termo que engloba o agravamento das condições mesmo em um contexto terapêutico. Essa deterioração pode manifestar-se através de padrões previsíveis denominados "jogos psicológicos", mapeados pela Análise Transacional (AT), abordagem desenvolvida por Eric Berne na década de 1950.

Tais jogos, que podem originar-se de relações simbióticas não resolvidas, servem para garantir um reconhecimento negativo ou simplesmente preencher o tempo, oferecendo uma ilusão de proximidade sem os riscos inerentes à intimidade genuína. Na Análise Transacional, a simbiose é definida como uma condição na qual dois ou mais indivíduos funcionam como uma entidade única, inibindo o desenvolvimento autônomo de cada um, sendo a simbiose patológica um resultado da indiferenciação na relação inicial, como negligência ou superproteção.

A superação deste ciclo vicioso requer o reconhecimento explícito do jogo em curso e a identificação precisa da vantagem secundária que está sendo obtida pela manutenção do status quo, como o evitamento de uma intimidade temida. A exploração desses ganhos ocultos, que podem incluir atenção familiar aumentada ou licença trabalhista, é crucial, visto que o indivíduo pode desenvolver uma dependência da atenção médica ou terapêutica. A análise do que se ganha ao manter o sofrimento, como o controle sobre o julgamento externo, permite que o foco terapêutico mude de simplesmente eliminar o sintoma para compreender a função que ele cumpre na vida do paciente, pavimentando o caminho para uma nova forma de interação.

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Fontes

  • Città Nuova

  • Città Nuova

  • Casa della Madia

  • Anobii

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