O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, em 30 de janeiro de 2026, recusou publicamente a sugestão do Kremlin para que as conversações de paz ocorressem em Moscou, contrapondo com um convite direto ao Presidente russo, Vladimir Putin, para que se deslocasse a Kiev. Zelenskyy fundamentou a sua recusa categórica no estatuto da Rússia como nação agressora, rejeitando também Belarus como local neutro para o diálogo. Esta troca de declarações ocorre num momento de escalada crítica, com ataques russos à infraestrutura energética da Ucrânia a elevar os riscos de segurança nuclear a um nível de emergência, o que motivou uma sessão extraordinária do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) em Viena no mesmo dia.
A reunião da IAEA centrou-se na escalada da ameaça à segurança nuclear. O Diretor-Geral Rafael Mariano Grossi classificou o conflito na Ucrânia como a maior ameaça à segurança nuclear mundial, enfatizando que um fornecimento elétrico externo estável é vital para a refrigeração dos reatores nucleares. O embaixador Peter Potman, representante permanente dos Países Baixos junto à IAEA, expressou "preocupações graves com os riscos significativos e crescentes para a segurança e proteção nuclear", indicando que o risco de um acidente estava "no limiar de se tornar realidade". Este cenário de infraestrutura crítica degradada é o mais grave desde que a IAEA iniciou o monitoramento de subestações em setembro de 2024, após ataques como o de 20 de janeiro de 2026, que causou a perda total de energia externa na Usina Nuclear de Chornobyl.
Paralelamente às discussões sobre a localização das negociações, Zelenskyy confirmou a política de reciprocidade da Ucrânia face aos ataques à infraestrutura energética: se a Rússia cessar os ataques aos sítios energéticos ucranianos, Kiev abster-se-á de atingir sítios energéticos russos. Esta posição seguiu um apelo do ex-Presidente dos EUA, Donald Trump, para uma pausa de uma semana nos ataques, embora o Kremlin, através do porta-voz Dmitry Peskov, tenha limitado a confirmação da pausa apenas a Kiev e sugerido um prazo restrito até 1º de fevereiro de 2026. A primeira rodada de conversações trilaterais mediadas pelos EUA em Abu Dhabi, entre 23 e 24 de janeiro de 2026, terminou sem avanços concretos, com a Rússia a manter as suas exigências territoriais sobre Donetsk.
A determinação pública ucraniana sustenta a posição negocial de Kiev. Uma pesquisa do KIIS de meados de janeiro de 2026 (9 a 14 de janeiro) revelou que 77% dos inquiridos acreditavam na capacidade de resistência eficaz da Ucrânia, apesar de 69% considerarem a guerra uma ameaça existencial. O diretor executivo do KIIS, Anton Hrushetskyi, observou que a fadiga e a raiva se traduzem num maior desafio ao agressor, e não em disposição para compromissos. Esta resiliência é consistente com dados de fevereiro de 2024, onde cerca de 70% dos entrevistados defendiam a continuação da defesa e recuperação de território. O analista Oleh Saakian complementa que o apoio público ao Presidente permanece um ativo de negociação fundamental, indicando que a estratégia russa de forçar a capitulação política através de ataques à infraestrutura não alcança o efeito pretendido. Pesquisas de início de janeiro de 2026 indicaram que 69% dos ucranianos não esperam uma paz duradoura das negociações atuais, e 62% declararam-se prontos para sustentar o conflito por tempo indeterminado.
A persistência dos ataques, como o lançamento de 111 drones de combate e um míssil balístico na noite de 29 para 30 de janeiro de 2026, reforça a posição de Zelenskyy de que qualquer negociação viável deve ocorrer sob condições de paridade, e não sob a pressão de um agressor em solo ucraniano. Em contrapartida, a Rússia, por via de Mikhail Ulianov, criticou a reunião da IAEA, classificando-a como motivada por considerações políticas e negando a necessidade de tal convocação. A segunda rodada de negociações trilaterais estava provisoriamente agendada para 1º de fevereiro de 2026, embora envolta em incertezas geopolíticas.


