Nomofobia Crescente em Jovens Revela Impacto do Uso Digital na Maturidade Emocional

Editado por: Olha 12 Yo

A adoção generalizada e precoce de tecnologias digitais está reconfigurando as experiências emocionais da infância, impulsionando o aumento da nomofobia, definida como a ansiedade gerada pela separação de dispositivos eletrônicos. Este fenômeno manifesta-se como sofrimento físico, cognitivo e emocional em jovens, sugerindo que o tempo excessivo de tela frequentemente suplanta a interação com o mundo real e a capacidade de processar sentimentos complexos. A nomofobia, termo derivado de "no mobile phone phobia", já é um desafio reconhecido no Brasil, onde 12% dos indivíduos relatam sofrer da forma severa, apresentando sintomas como irritabilidade, ansiedade e taquicardia quando o acesso ao aparelho é negado.

Dados recentes sublinham a urgência desta questão, indicando que crianças entre 6 e 8 anos dedicam, em média, 3,28 horas diárias aos dispositivos. Este volume excede significativamente as diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que desaconselha qualquer exposição para menores de dois anos. O consumo digital está migrando, com o aumento do tempo dedicado a jogos eletrônicos e a proliferação de plataformas de vídeos curtos, substituindo o formato de televisão tradicional.

Essa imersão digital excessiva tem sido correlacionada com impactos adversos no desenvolvimento da linguagem e nas funções executivas, como a memória de trabalho e a capacidade de resolução de problemas. Especialistas em psicologia apontam que as recompensas imediatas oferecidas pelo ambiente digital ativam os sistemas de reforço de dopamina no cérebro em formação, transformando os aparelhos em um refúgio constante contra o tédio e a frustração. Pesquisas indicam que o uso intenso de mídias digitais na primeira infância pode estar associado a alterações na anatomia cerebral, afetando o processamento visual e funções cognitivas essenciais como a atenção voluntária.

Ademais, a exposição prolongada a telas, especialmente antes de dormir, prejudica a liberação de melatonina, desregulando o sono e, consequentemente, a capacidade de aprendizagem. O cenário é agravado por disparidades socioeconômicas, visto que 69% das crianças de famílias de baixa renda no Brasil são expostas a um tempo de tela considerado excessivo. Isso sugere que a falta de acesso a espaços de lazer e o aumento da violência urbana podem levar os responsáveis a priorizar atividades online como forma de contenção.

A superação deste padrão comportamental exige uma abordagem multifacetada, focada na regulação consciente e na promoção do brincar não estruturado, visando nutrir a inteligência emocional. Estratégias eficazes incluem a criação de zonas livres de tecnologia, a prática do conteúdo audiovisual em conjunto com os pais e, crucialmente, que os responsáveis modelem um uso de dispositivos mais comedido. A promoção de atividades como leitura de livros, jogos de tabuleiro e o contato com a natureza é vista como um antídoto fundamental contra a intoxicação digital, garantindo que a tecnologia permaneça uma ferramenta auxiliar e não a totalidade da experiência infantil.

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Fontes

  • Agenda Digitale

  • Health Professionals For Safer Screens

  • 2025 The Common Sense Census: Media Use by Kids Zero to Eight - beSpacific

  • 03-02 2025 The Common Sense Census: Media Use By Kids Zero to Eight - Lynn's Warriors

  • Daniela Lucangeli agli Stati Generali della Scuola Digitale 2025

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