Análises recentes de documentos pertencentes ao General Simon G. Griffin, veterano da Guerra Civil, destacam a justaposição entre a euforia local em Keene, New Hampshire, após a rendição de Robert E. Lee e a subsequente tragédia nacional do assassinato do Presidente Abraham Lincoln em abril de 1865. Griffin, que alcançou a patente de Brigadeiro General do Exército da União e posteriormente atuou como legislador estadual em New Hampshire, detalhou em seus manuscritos a intensa celebração que varreu Keene após o evento que selou o fim do conflito.
O ponto alto da alegria comunitária ocorreu após a rendição do Exército da Virgínia do Norte por Lee em 9 de abril de 1865, em Appomattox Court House, Virgínia. Na noite de sexta-feira, 14 de abril de 1865, a cidade de Keene fervilhava em júbilo, conforme noticiado pelo jornal local, o Sentinel. O periódico descreveu a iluminação da vila como a mais brilhante que a cidade já havia testemunhado, com edifícios resplandecentes e ruas cheias de participantes. Um desfile à luz de tochas mobilizou companhias de bombeiros de cidades vizinhas e músicos vindos até de Massachusetts, marcando um momento de alívio e triunfo após anos de conflito.
O General Griffin, contudo, registrou o contraponto devastador: no exato momento em que a celebração atingia seu ápice, o Presidente Lincoln era assassinado em Washington, D.C. O atentado contra o 16º Presidente dos Estados Unidos ocorreu no Teatro Ford, onde ele assistia à peça Our American Cousin. John Wilkes Booth, um ator simpatizante da causa confederada, executou o tiro fatal como parte de uma conspiração mais ampla destinada a desestabilizar o governo da União. Lincoln faleceu na manhã seguinte, 15 de abril de 1865, na Petersen House, em frente ao teatro, apenas cinco dias após a rendição de Lee.
A nação mergulhou em luto, e Keene seguiu o cronograma oficial de pesar nacional na quarta-feira, 19 de abril de 1865. Nesse dia, os estabelecimentos comerciais permaneceram fechados, os sinos das igrejas badalaram em sinal de dor, e cerimônias religiosas solenes foram realizadas em sincronia com o funeral presidencial em D.C. A vida de Griffin, nascido em Nelson, New Hampshire, em 9 de agosto de 1824, incluiu serviço militar desde 1861, culminando com sua promoção a General de Brigada em maio de 1864, e ele serviu como comandante de divisão interino durante a Campanha de Appomattox.
Décadas mais tarde, o General Griffin, que viveu em Keene após a guerra e participou ativamente da política local, testemunhou outra grande reunião cívica, detalhada em seu manuscrito. A celebração do Sesquicentenário de Keene, em 4 de julho de 1903, comemorou os 150 anos da fundação da cidade, estabelecida originalmente em 1753. Este evento atraiu milhares de pessoas e incluiu um desfile que culminou em uma notável 'bandeira viva' formada por 350 crianças dispostas em uma plataforma de múltiplos níveis. O evento de 1903 encerrou-se com uma exibição pirotécnica e uma oração histórica proferida pelo Reverendo Josiah L. Seward. A memória de Keene, conforme registrada por Griffin, oscila entre a alegria efêmera da vitória militar e a dor imediata da perda de seu líder nacional, um contraste que moldou a experiência daquele período de transição pós-guerra e o início da Reconstrução.



