Disparo nos Preços de Energia Segue Ataques Iranianos a Infraestrutura no Golfo Pérsico
Editado por: max one
O mercado global de energia registrou uma escalada acentuada nos custos de petróleo e gás natural na quinta-feira, 19 de março de 2026, após uma série de ataques aéreos atribuídos ao Irã contra infraestruturas energéticas vitais na região do Golfo Pérsico. Esta intensificação da crise, que se arrastava por quase vinte dias, foi catalisada por um ataque israelense prévio ao campo de gás South Pars, uma reserva compartilhada pelo Irã e pelo Catar.
As ações retaliatórias iranianas atingiram instalações no Catar, na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos (EAU) e no Kuwait, elevando o temor de interrupções no fornecimento mundial. As consequências econômicas foram imediatas: o preço do barril de Brent ultrapassou US$ 114,87, chegando a picos de US$ 119,13, refletindo a volatilidade do mercado. O gás natural europeu, referenciado pelo TTF, aumentou até 24% em alguns benchmarks, com um ponto de alta para 68,6 euros por megawatt-hora, um ganho de 25,5%.
A situação é agravada pelo bloqueio contínuo do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente. A Agência Internacional de Energia (AIE) indicou que os países do Golfo foram forçados a reduzir a produção em aproximadamente 7,5% da oferta mundial. Entre os alvos específicos, a Cidade Industrial de Ras Laffan, no Catar, que processa cerca de um quinto do consumo global de GNL, reportou danos extensos e incêndios, conforme confirmado pela QatarEnergy. A Arábia Saudita teve sua refinaria Samref, em Yanbu, atingida por um drone, e o Kuwait relatou incêndios em duas refinarias.
Em resposta à escalada, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que iniciou seu segundo mandato em janeiro de 2025, emitiu advertências, declarando que os EUA não participaram do ataque a South Pars e ameaçando "massivamente destruir a totalidade do campo de gás South Pars" caso o Irã atacasse instalações no Catar. O Ministro de Energia do Catar, Saad al-Kaabi, chefe da QatarEnergy, mencionou ter alertado parceiros e o Secretário de Energia dos EUA sobre as consequências do ataque israelense.
Paralelamente, o Federal Reserve (Fed) manteve sua política monetária restritiva, citando a incerteza inflacionária gerada pelos choques energéticos. O presidente Jerome Powell indicou que o aumento dos preços da energia impulsionaria a inflação no curto prazo, com as projeções do Fed para a inflação subjacente já refletindo um aumento de duas décimas, para 2,7% no ano. Diretores do Fed, como Christopher Waller, ressaltaram que a alta do petróleo representa um risco notável para a meta de inflação.
A crise energética, que se aproxima do vigésimo dia, estende sua influência para além do petróleo, com a Organização Mundial do Comércio (OMC) alertando que o bloqueio no Estreito de Ormuz compromete o abastecimento global de alimentos e fertilizantes. Executivos do setor, como o CEO da United Airlines, Scott Kirby, já se preparam para cenários de petróleo a US$ 175 o barril, indicando que a confiança na resolução rápida está sendo posta à prova. A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, mantinha contatos diplomáticos com o Irã em busca de soluções.
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Fontes
Clarin
The Objective
Infobae
Primicias
N+
EL PAÍS
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