Coletânea de Contos de Tony Tulathimutte Explora o Isolamento na Era Digital

Editado por: Olha 12 Yo

A coletânea de contos de Tony Tulathimutte, intitulada Rejection, publicada em 2025, concentra-se nas temáticas contemporâneas da solidão e da imersão digital, um estado frequentemente referido como "Very Online". As narrativas interligadas apresentam personagens que lidam com a rejeição nos âmbitos afetivo e identitário, uma luta exacerbada pela sua compulsiva exposição e autoexílio no espaço virtual, refletindo um dilema da modernidade líquida.

As tramas desenvolvidas por Tulathimutte, autor Thai American de 41 anos, exploram facetas específicas dessa desconexão. Um eixo central aborda o ativismo performático, ilustrado pelo caso de um homem que adota a causa feminista buscando vantagens românticas, um percurso que culmina em niilismo. Outro enredo detalha a obsessão destrutiva por um parceiro inatingível, foco que corrói a autoestima do indivíduo e paralisa suas interações sociais, espelhando a dificuldade de navegar o mundo tangível, percebido como um espaço de códigos hipócritas.

Um terceiro arco narrativo descreve o refúgio de um personagem em vícios digitais, como pornografia e jogos, após um rompimento amoroso, buscando consolo na fuga virtual. A alienação é intensificada pela cultura dos aplicativos de namoro, onde humilhações mediadas digitalmente acentuam o isolamento, como no caso de Kant, um personagem Thai American que enfrenta restrições explícitas em seu perfil de encontros. A obra é reconhecida pela observação perspicaz e pela maestria linguística ao capturar as realidades desconfortáveis da geração cronicamente conectada.

A literatura contemporânea, como a obra de Cláudia Raquel Soeiro em Solidão Conectada, também investiga como as interações virtuais podem simultaneamente aproximar e afastar, e como a validação online pode fragilizar a autoimagem. Tulathimutte equilibra uma prosa satírica com um subtexto de controle sinistro, forçando o leitor a confrontar a facilidade com que se pode cair no isolamento provocado pela internet.

Em um movimento meta-textual, o livro conclui com uma carta de rejeição editorial endereçada ao próprio autor, sugerindo que as histórias podem ser projeções das inseguranças de Tulathimutte. Este desfecho sublinha a escrita como um ato de exposição e autodestruição, um tema recorrente entre os protagonistas, e ressalta a habilidade do autor em equilibrar o humor com a exposição das vulnerabilidades da vida moderna.

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Fontes

  • de Volkskrant

  • Esquire

  • The Guardian

  • Bol.com

  • Barnes & Noble

  • NYS Writers Institute

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