Ondas de Desconfiança: Fraudes em Empréstimos Regionais nos EUA e o Espelho do Risco Sistêmico

Editado por: Dmitry Drozd

O cenário financeiro dos Estados Unidos voltou a demonstrar sinais de tensão, com o foco recaindo sobre instituições regionais após a divulgação de irregularidades em carteiras de crédito. Este movimento, embora pareça pontual, ressoa como um chamado à reavaliação dos pilares de solidez que sustentam o sistema. Em 16 de outubro de 2025, a Zions Bancorp acendeu o primeiro sinal, reportando um impacto de 50 milhões de dólares, originado de supostas deturpações em contratos de empréstimos comerciais.

Em paralelo, a Western Alliance Bancorp também comunicou sua exposição a um instrumento de crédito similar, envolvendo a entidade Cantor Group V, LLC, contra a qual iniciou um processo judicial alegando fraude por não fornecer a posição de garantia primária. Tais revelações desencadearam uma perda de valor de mercado de 100 bilhões de dólares em um grupo de 74 bancos americanos, com as ações da Zions e da Western Alliance sofrendo quedas expressivas de 14% e 12%, respectivamente, no pregão inicial de quinta-feira, 16 de outubro. O Índice de Bancos Regionais KBW registrou seu pior dia desde abril em reação imediata à notícia.

Essa turbulência não é um evento isolado no ciclo recente, somando-se ao colapso de empresas como a First Brands Group, endividada em mais de 10 bilhões de dólares, e da Tricolor Holdings, credora subprime de veículos, que entraram em dificuldades em setembro. O contexto sugere que o capital abundante e as práticas de risco elevado estão agora apresentando seu custo, reacendendo o debate sobre a saúde do crédito, especialmente em um mercado de empréstimos alavancados que se expandiu rapidamente. O alerta de Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, ecoou a preocupação geral, ao mencionar a possibilidade de encontrar mais "baratas" escondidas no crédito, intensificando o escrutínio sobre as práticas de "shadow banking".

Enquanto alguns analistas buscam diferenciar esses eventos como "idiossincráticos", ou seja, específicos de cada instituição, e não um prenúncio de uma crise generalizada como a do Silicon Valley Bank, a natureza das perdas, ligadas a fundos que adquiriam hipotecas comerciais em dificuldades, aponta para uma vulnerabilidade subjacente na avaliação de garantias e na transparência das transações. A interconexão do sistema global significa que pressões que emergem em um segmento específico do mercado de crédito dos EUA exigem uma observação atenta de todas as estruturas financeiras, pois a confiança dos depositantes e investidores é o verdadeiro termômetro da estabilidade. A forma como as instituições lidam com a exposição a esses riscos latentes moldará a percepção de solidez para o futuro imediato.

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Fontes

  • Valor Econômico

  • Ainvest

  • American Banker

  • The Washington Post

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